RESPOSTA

uma exposição de Juliana Freire, Roberto Bellini, Rodrigo Borges e Susana Bastos


Resposta

Data: 05 a 24 de julho
Local: Galeria Arlinda Corrêa Lima – Palácio das Artes - Av. Afonso Pena, 1537, Centro
Informações: 31 – 3236-7400 / www.palaciodasartes.com.br

Texto: André Brasil

I
- A resposta é o avesso da pergunta?
- Acho que não. A resposta é uma nova pergunta. Ela é o que permite à pergunta sair de si mesma e se tornar outra pergunta.
- O pensamento deseja a pergunta.
- A resposta é um prazer momentâneo, que não esgota esse desejo. Ela é uma fissura do pensamento.
- Em uma conversa perguntas vêm travestidas de respostas e respostas logo se tornam perguntas.
- Uma conversa cria menos discursos do que espaços comuns.

II
- Como conversar sem as palavras?
- Ela é uma conversa tão precisa, tão clara, que bastaria mostrar uma imagem, um objeto, e a resposta seria outro objeto, outra imagem. Nenhuma palavra, nenhuma interpretação, nenhum mal entendido. Apenas o que é, o que se expõe.
- Mas, um objeto e uma imagem são sempre já outra coisa.
- Sempre uma possibilidade.

III
- Como um objeto pode responder ao outro?
- Não são argumentos, como no caso das palavras.
- Claro. Mas, então, o quê?
- O contato. Um objeto se expõe ao outro. Essa exposição é, desde o início, uma relação.
- Na verdade, os objetos não existem antes dessa relação.
- O que se pergunta e se responde aqui?

IV
- As obras são corpos desmembrados, elas parecem ter vida própria: seres de ar, fantasmas feitos de som, pernas sem dorso...
- ... escadas fora dos degraus...
- ...teias coloridas que embrulham os objetos.
- O horizonte, a pedra, o fogo.
- “(Só se pode comparar a andadura do fogo à dos animais: é preciso que desocupe este lugar para ocupar aquele outro; caminha a um só tempo como ameba e como girafa, o pescoço à frente, os pés rampantes)...
Depois, ao passo que as massas metodicamente contaminadas se aniquilam, os gases liberados vão-se transformando numa só rampa de borboletas.” (Francis Ponge)

V

- Expostas umas às outras, as obras criam menos um diálogo do que uma erótica.




André Brasil é Professor da PUC Minas, com mestrado na UFMG e ponte rodoviária para o doutorado na UFRJ. Desenvolve, atualmente, parte da pesquisa na Universidade Paris VIII. Foi curador da MostraVídeo do Itaú Cultural, em Belo Horizonte. Participa da comissão de programação do Videobrasil. Gosta de criar ensaios sobre (e com) as imagens.